Coluna travada: repouso ou movimento?
Quando a coluna trava, a primeira vontade é ficar parado. Dá para entender: a pessoa tenta levantar e parece que a lombar "segurou". Mas, na maioria dos casos, repouso absoluto por muito tempo não ajuda, e pode até atrapalhar.
Coluna travada nem sempre é algo grave
A coluna pode travar por espasmo muscular, irritação articular, sobrecarga, crise inflamatória ou movimento brusco. Às vezes dói muito, mas dor forte não significa automaticamente hérnia grave, nervo comprimido ou necessidade de cirurgia. Tem crise muscular que derruba uma pessoa.
O importante é distinguir uma crise mecânica simples de sinais de alerta. A intensidade da dor, sozinha, não define a gravidade.
Repouso absoluto costuma ser má ideia
Durante uma crise muito forte, descansar um pouco pode ser necessário. Mas ficar dias de cama, imóvel, esperando a coluna destravar sozinha, geralmente não é o melhor caminho.
A American Academy of Family Physicians, na campanha Choosing Wisely com a North American Spine Society, orienta não recomendar repouso de cama para dor lombar, porque ele não mostrou benefício e pode atrasar a recuperação. Outra recomendação é limitar o repouso a menos de 48 horas na dor lombar aguda sem sinais de alerta.
Movimento não significa forçar
Movimento, nessa fase, não é treinar pesado, pegar carga ou destravar na marra. É algo simples: andar dentro de casa, mudar de posição, evitar ficar horas deitado, fazer movimentos leves tolerados e retomar atividades aos poucos.
O American College of Physicians recomenda que pacientes com dor lombar permaneçam ativos conforme tolerado. "Conforme tolerado" é a parte importante. Em alguns casos, o calor superficial também pode ajudar no alívio da dor aguda ou subaguda, segundo as diretrizes do ACP.
Quando a coluna travada merece mais atenção?
Principalmente se vier com dor descendo para a perna, formigamento, dormência, perda de força, dificuldade para caminhar, alteração para urinar ou evacuar, febre, queda ou trauma, histórico de câncer, ou piora progressiva.
Nesses casos, o problema pode não ser apenas uma crise muscular: pode haver irritação ou compressão nervosa, fratura ou outra condição que precisa ser investigada. O segredo não é se mexer de qualquer jeito, e sim encontrar movimentos seguros e toleráveis, respeitando as pistas do corpo.
Coluna em crise precisa de inteligência, não de heroísmo. O objetivo não é apenas destravar, é entender por que travou.
O tratamento depende da causa
Se for uma crise muscular ou mecânica simples, o tratamento pode envolver medicação, orientação, fisioterapia, movimento progressivo e reabilitação. Se houver compressão nervosa, o raciocínio muda; se houver déficit neurológico, muda mais ainda.
Nem toda coluna travada precisa de ressonância imediata, mas alguns casos precisam, principalmente com sinais de alerta. Por isso o objetivo não é apenas destravar, e sim entender a causa e tratar de acordo.
Um extremo é ficar três dias de cama sem mexer. O outro é forçar para destravar. Os dois podem ser ruins.